A colonoscopia é a modalidade de exame endoscópico onde se observam as alterações macroscópicas de tônus, peristaltismo, arquitetura, morfologia , lúmen, pregueamento e relevo mucoso do reto, sigmoide cólons descendente, transvero e ascendente, ceco (intestino grosso) e o seguimento distal do íleo terminal (intestino delgado), tem como principal objetivo detectar alterações morfológicas ou funcionais, registra-las e coletar amostras ou realizar procedimentos mais invasivos de caráter diagóstico ou mesmo curativos.
Para tal, utiliza-se de um aparato tubular fino e flexível capaz de prosseguir sob visão direta (guiado por uma câmera) todo caminho sinuoso dos cólons, essas imagens são transmitidas à um monitor onde o médico é capaz de manobrar o aparelho para que visualize todos os seguimentos em busca de lesões. O colonoscópio tamém dispõe de um canal interno por onde secreções são aspiradas e por qual pode-se utilizar de dispositivos para que procedimentos como biopsias, escleroses, polipectomias, fulgurações, dilatações entre outros podem ser realizados, traduzindo assim a possibilidade de realização de procedimentos terapêuticos durante o exame.
Os exames endoscópicos baixos são basicamente dois, sendo a retosigmoidoscopia onde avalia-se do reto até o cólon descendente passando pelo sigmoide, e a colonoscopia qur avalia do reto ao ceco e por vezes até os centímetros finais do íleo terminal. Além da diferença de extensão de ambos os exames, existe também a necessidade de preparos especiais para cada tipo, assim como indicações precisas para cada um. A retossigmoidoscopia é um exame mais simples pois apenas as porções mais distais do intestino grosso são avaliadas, necessitam de menor preparo e são consideradas pelo médico que indicia o exame nos casos onde se há certeza que a doença a ser investigada se encontra nesses seguimentos, por sua vez a colonoscopia consiste no exame de excelência e considerado o padrão ouro na avaliação do intestino grosso, isso pois consegue visualizar toda a extensão do cólon.
No geral o exame é indolor, feito sob sedação pouco mais profunda que uma endoscopia digestiva alta ou mesmo sob anestesia, dura de 15 a 60 minutos, dependendo da dificuldade imposta pela anatomia dos colóns ou pela necessidade de realização de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos durante a realização do exame.
O exame de colonoscopia é um importante método de diagnóstico em diversas doenças do sistema digestivo, sendo indicada para avaliação de uma grande gama de sinais e sintomas como dor abdominal, diarreias crônicas, constipação, perdas de sangue nas fezes, emagrecimentos abruptos entre outras tantas conforme as listadas na tabela abaixo. Uma de suas principais indicações esta no rastreio e diagnóstico precoce do câncer de cólon, sendo indicado em todos os pacientes maiores de 50 anos que não possuem histórico familiar de neoplasias de cólon ou condições pré malignas intestinais e mesmo em idades mais tenras em indivíduos com histórico positivo para essas condições.
Para a realização de um exame de qualidade é de fundamental importância a execução por parte do paciente de um bom preparo intestinal. Esse preparo permite que resíduos fecais grosseiros não impeçam a visualização adequada da mucosa dos seguimentos colônicos. O preparo inadequado pode ocasionar que diagnósticos de lesões pequenas e discretas não seja realizado como seriam em situações normais de bom preparo, ocasionando assim risco de resultados falso-negativos no exame.
Para realização do exame, recomendamos as seguintes orientações nutricionais e medicamentosas, essas orientações de preparo podem ser baixadas e impressas na nossa área de preparos.
Na clínica o paciente terá acesso à um banheiro reservado caso necessite evacuar antes da realização do exame. Ao chegar na área de preparação – recuperação da clínica, lhe será solicitado que retire todos os adornos e objetos metálicos, esses serão depositados em um recipiente individualizado e deixado em um armário pessoal ou com seu acompanhante, passará por uma breve anamnese com um dos nossos colaboradores para verificação de doenças pré existentes, condições clínicas atuais, indicação do exame, assim como a aferição dos sinais vitais. Também lhe será solicitado que troque sus roupas pela bata de realização de exames e em seguida será providenciado um acesso venoso para infusão de medicações e colocação de dispositivos de monitorização.
Uma dúvida frequente de todos os pacientes que irão realizar o exame pela primeira vez é se ele doi, sendo assim é importante ressaltar que o procedimento geralmente é indolor, mesmo quando realizado sem anestesia e apenas com sedação. Nesses casos, podem ocorrer pequeno desconforto abdominal que pode variar de pessoa a pessoa e também dependendo da dificuldade na realização do exame. Contudo, a grande maioria dos pacientes não sentem qualquer incômodo durante ou após a realização do exame, não sendo incomum o relato de não se lembrarem de absolutamente nada e interrogarem quando realizarão o exame mesmo após tê-lo concluído.
Aqueles com indicação de realizar o exame anestesiados não têm qualquer percepção da realização do mesmo, porém existem indicações precisas para esse tipo de exame no geral nos extremos de idade e quando já estabelecido a necessidade de realização de procedimentos invasivos maiores durante o exame.
E como é feita a Colonoscopia? Para a realização do exame propriamente dito, o paciente é colocado em decúbito lateral esquerdo com as pernas flexionadas e em seguida sedado, após verificar que o paciente encontra-se semi inconsciente, o médico então inicia o procedimento com a aplicação de um gel anestésico/lubrificante através de um toque retal. Em seguida procede com a introdução do colonoscópio pelo anus o que permitirá a visualização, fotografar ou mesmo filmar as alterações dos cólons, retirar materiais para biopsias ou mesmo realizar procedimentos.
Em alguns casos o médico pode concluir que não pode prosseguir com o exame (chegada ao cego) por motivos clínicos, técnicos ( cólon extremamente difícil por alterações anatômicas como cirurgias, aderências entre outras), má preparação e etc. A interrupção precoce do exame é a ultima alternativa do médico e visa única e exclusivamente a minimização do risco lesão, assim, poder ser necessária a realização de outros exames complementares, da mesma forma , o médico também poderá entender que o exame realizado é suficiente para a avaliação desejada.
Após o termino do exame, um laudo fotográfico e com as principais alterações encontradas será emitido e entregue ao paciente ou seus acompanhantes, assim como qualquer material biopsiado para estudo histopatológico. Nos casos onde alterações importantes foram observadas, caberá ao médico realizador advertir o paciente da necessidade de realização de consulta para melhores esclarecimentos e tratamentos se se julguem necessários, da mesma forma, os materiais entregues para exame de patologia, após a chagada do laudo, deverá ser avaliado pelo médico que acompanha o paciente.
Como dito anteriormente, a colonoscopia pode ser usada também como método de tratamento de certas alterações do tubo digestivo. Através de instrumentos muito finos que passam por um canal no interior do colonoscópio é possível ao médico resolver alguns problemas, tais como: apertos (estenoses), remover pólipos (polipectomia) ou parar hemorragias. A remoção de pólipos ( prolongamentos semelhantes à verrugas) durante uma colonoscopia é um procedimento frequente e considerado de boa pratica clínica, sendo a medida mais eficaz na diminuição da taxa de incidência do câncer colo-retal, no geral não provocam dor ou sangramentos, porém em determinados casos, medidas adicionais de hesmostasia como eletrocoagulação ou colocação de clipes podem ser necessárias.
Dependendo do número de pólipos, seu tamanho , ou do seu tipo histológico, o médico poderá aconselha-lo sobre a necessidade de efetuar uma colonoscopia de vigilância entre 3 a 5 anos após o exame inicial, no entanto, este intervalo de tempo poderá, em situações específicas, ter de ser encurtado.
Após a realização do exame, em alguns pacientes e dependendo das condições e dificuldades encontradas durante o exame, podem ocorrer algum desconforto abdominal, contudo geralmente estão associados ao acúmulo de gases injetados durante a realização da colonoscopia. No geral, após a eliminação desses gases, o paciente sentirá melhora considerável dos sintomas.
Por se tratar de um exame invasivo, a colonoscopia pode incorrer em complicações, contudo essas são raras e dependentes do tipo de procedimento realizado. Contudo, mesmo com esse risco (baixo), é de fundamental importância que procedimentos não sejam retardados para exames subsequentes, salvo os casos onde sejam necessários maior preparação, equipamentos, profissionais ou insumos
Apesar das complicações serem raras é bastante importante que o doente reconheça precocemente sintomas de possíveis complicações: se tem febre, dor abdominal persistente, perda de sangue, dificuldade em respirar deve informar rapidamente o médico. Tenha em atenção que uma hemorragia por remoção de um pólipo pode surgir vários dias depois do procedimento.
Em relação aos custos dos exames, esses dependerão diretamente da necessidade ou não da realização de procedimentos adicionais, onde sejam necessários o emprego de materiais e insumos específicos para a realização de cada tipo de procedimento, sendo esses cobrados a parte; porém, no casos onde existe a necessidade de realizar procedimentos de pequeno porte como biopsias ou polipectomias não complexas, esses não são cobrados a parte e estão inclusos nos custos básicos da colonoscopia. Durante a consulta médica, ou mesmo na anamnese pré exame lhe serão explicados sobre essa possibilidade dependendo dos sinais e sintomas apresentados que motivaram a realização do exame.
Quando indicar exame de Colonoscopia:
- Avaliação de anormalidades diagnosticadas em algum exame de imagem
- Investigação de hemorragias digestivas
- Hematoquezia
- Investigação de melena após exclusão de hemorragia digestiva alta
- Positividade na pesquisa de sangue oculto nas fezes
- Anemia ferropriva sem causa estabelecida
- Rastreamento e seguimento de neoplasias de cólon
- Rastreamento de pacientes assintomáticos com risco moderado
- Rastreamento de todo o cólon em busca de lesões sincrônicas em pacientes com câncer ou pólipos neoplásicos
- Colonoscopia terapêutica para remoção de lesões sincrônicas
- Seguimento de pacientes com pólipos neoplásicos
- Seguimento de pacientes com história familiar positiva para câncer colorretal
- Acompanhamento de pacientes com retocolites ulcerativas ou doença de Crohn
- Suspeita de doença inflamatória intestinal
- Diarreia crônica de origem indeterminada
- Tratamento de hemorragias digestivas baixas
- Avaliação pré-operatória de reconstruções colorretais
- Avaliação e tratamento de complicações cirúrgicas
- Remoção de corpos estranhos
- Ressecção de lesões
- Descompressão de megacólon, volvo de sigmoide ou pseudo-obstrução aguda do cólon (síndrome de Ogilvie)
- Dilatação de estenoses
- Marcação de neoplasias para facilitar a localização intraoperatória